A Fazer o pino
À luz dos dias de Março, o primeiro chega com as serpentinas de luz no sopro das velas apagadas do dia anterior.
Banir o assombro dos lugares comuns nas teias que compõem o cenário é a proposta para o novo ano.
Com o impulso da nova estação a força que invade o corpo apertado pelo espartilho dos últimos anos. Sem tempo para parar o caudal que emerge a montante. Sou levada na corrente, da luz à sombra e no embate está o convite à celebração da vida que vem no projetor dos feitos encontrados na fita, e que agora se desenrolam nas mãos.
Os quilômetros que abrem a estrada são sentidos no coração...
Fui escolhida para ser a atriz principal mas troquei de papel em todas as representações anteriores. Os gritos da surdina da noite, os uivos reprimidos nas cordas vocais, o ar que atrofia a lei da dinâmica, impede a credibilidade da apresentação, - quando entregar-me seria o único caminho para criar a mudança.
Pedi um intervalo entre as tentativas de expurgar as experiencias mal interpretadas.
A água que corre no corpo é salgada. Nas reminiscências do tempo as duas luas emergem o efeito na causa do ser humano.
Volto à cena convicta que não posso assumir o compromisso com a cabeça virada para as nuvens.
Convoco as forças internas para me posicionar junto à terra. Os cinco sentidos são ativados e as lembranças antigas surgem com os animais de sempre.
O sangue desce à cabeça como desce das estrelas a pressão para nascer.
V.
31 Março 2024
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