A FAZER A CAMA DO SONHO

 À LUZ DOS DIAS E DAS NOITES DE AGOSTO

Fui levada para a jornada dos sonhos com gosto. 

Convidada a viajar pelo atlântico  e no ápice em que dou às asas  sou  inundada  pela melodia da  língua portuguesa 

O mar atlântico traz na ondulação o fresco para os quentes dias do  dito mês. À noite  o sol faz-se presente para  iluminar os sonhos. 

- Onde foram guardados, onde está a formulação da sua criação ? 

Na procura, entro na porta dos sonhos  e deixo -me cair na cama da noite.

No principio o  tambor bate a cúpula da estrutura e as emoções assolam a  sineta  do pequeno templo

 - Como decifrar  um  zero da letra  O  ?

Aproxima-se uma espécie  de sonho  que é desenrolado durante a jornada. Da base a vibração  vermelho permite mexer na estrutura  o que está esquecido é sacudido do lençol das memorias: 

Vejo-me a fazer a cama 

« Não sei precisar a idade que abri a fase do sonambulismo, antes, depois dos sete anos...

Talvez o tempo da idade não tenha a devida importância. Sei detalhar ao pormenor o que ocorria na fase em que deambulava pela casa da infância.

Acordava em salto quântico para a vida.  Um salto em largueza que arrastava as vivencias do  sono nas  várias deambulações e abria a amanhã antes dela ser dia.

 Tenho guardado a imagem daquele momento na  perfeição. Fazia a cama com muito cuidado e pormenor de execução. Sei que tinha um dever a cumprir. 

Depois percorria o corredor túnel das pequenas assoalhadas, parava à esquerda no quarto dos meus pais. Enquanto dormiam observava a luz dos candeeiros da rua,  das frechas da persiana, cristais luminosos adentravam o quarto. No espelho da porta do guarda -fato os quatro pés e um caminho bifurcado. Na direção oposta a porta de saída dos detritos humanos.  Seguia  o corredor e voltava a parar para mexer nas chaves da porta, -  sinto o barulho das chaves a rodar a fechadura, depois de tentar os vários movimentos  largava o interesse para ir para o novo destino. A sala,  tem um buraco  no lençol, sem a memoria,  percorri a correr o corredor e volto ao  quarto.

 Para fixar o corpo ao  canto do quarto. E inundar -me de lágrimas 

Rodei os quatro  cantos do  quarto sempre a chorar, - sinto a dor, a magoa a surgir pelos poros das palavras. 

Vejo os meus pais a chegar e escuto bem   baixinho a frase do pai  e sinto a cautela da minha mãe, - não a podes acordar, com muito cuidado põe- a na cama. E assim eram levadas  as  noites a desmanchar a perfeição,

- Sei de cor  a vibração das suas palavras na frequência do amor que era envolvida no lençol.

Mas houve um dia que soube que era tema de preocupação. Vejo-os a caminhar à frente, eu vou atras com as dores nos joelho 

No sussurro das conversas dos adultos apurava as frases de preocupação: «e  se ela saí de casa como tu saías ", « sei de pessoas que sobem ao telhado", "tem cuidado não a acordes ",                             ". 

Fechei o capitulo do sonambulismo com a frase escutada : «vou  leva-la ao médico", ...«

         O corpo  é um sonho acordado.


V

31AGOSTO 2024

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