SÓ ESCUTO QUEM ME OLHA COM OS OLHOS D´ALMA
À LUZ DOS DIAS E DAS NOITES DE SETEMBRO
"Na batida do coração o olhar da voz
perfura o timbre d´alma que estremece o sono e rebenta na luz da manhã.
A jornada humana desvia o perfume criado entre a noite e o dia, a imperfeição das combinações é jogada ao alto,
a essência caí desamparada numa mão."
António Maria, pseudônimo
A lua que esconde a face oculta, um nome que esconde a verdadeira identidade, os significados que omitem a energia, a mentira que rouba o lugar à verdade.
O que cai para ser visto no desdobramento de uma vida?
Na bainha da saia a linha vermelha cose a frequência das mulheres das sete saias. O arco Iris serve a cor às partes intimas. As velhas riem à janela ao verem as novas correrem com os ponteiros do relógio.
- Também eu fui assim, mas vim pelo ar agarrada pelo cachaço para ocupar o meu lugar.
Vejo os dias do mês a fechar a tempo, a tempo de ver as águas de setembro a correr para o mar.
Nos pés chove,
a agua que a língua recolhe,
ondas das poças que saltam pelo ar e criam humidade no corpo inteiro.
A humanidade é encaminhada para o Norte, redesenha na folha branca o caminho no céu da terra- de balança para virgem, somos convidados no futuro próximo amar os dois mil anos sem julgar o dia- à- dia
e depois ?
Veem as memórias dos caminhos, vestidos e despedidos de carne putrificada
Como acolher aquele que fui e que agora vejo a matar, a roubar, a destruir, a enganar, a maltratar, a violar, a prostituir-se ...
- Olhar a escuridão ensina a escutar com a voz da alma.
Desse lugar somos inundados pela exaltação de vênus
e por abrir a janela para o AMOR.
Senti o calor e o frio da estação nos pratos da balança.
- Agora com esta idade, só escuto quem me olha com os olhos d´alma -, diz a velha à moça que passa.
V.
30 SETEMBRO 2024
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