UM OUTRO LADO MEU

 À LUZ DOS DIAS E DAS NOITES DE OUTUBRO

naquele instante  

a brisa  ditou a mudança pela manhã e depois o veredito chegou, mesmo  antes da noite preparar   para adormecer o dia, - sabemos que o tempo mudou!  

À chegada não me reconheci. Foram dias, vidas comprimidas  numa pasta, lâminas afiadas no corrimão de uma escada.

O outono  é a estação. Pelo vidro corre o tempo,  da carruagem  onde  vejo a verdade anunciada, à velocidade da luz. Estou na idade dos porquês insatisfeita com o contexto, inquieta com a  trama de  mãos e os pés atados ao dorso da terra, desço no apeadeiro,

 - Estou vestida de criança, não achei a graça, talvez por a mão  ainda ser pequena e não ver com precisão o estado do tempo.

O cheiro da rosa perfumada ditou o caminho da mão que pegou o espinho. 

Arvore que faz de sombra está molhada e o sangue que aflora da mão é o liquido que se dilui no tronco escuro e sedoso do carvalho, somos da mesma idade 

Não me apercebi que tinha mudado de tempo. Naquela manhã não mais voltei a molhar a face, pois o soluço foi dissolvido no orvalho


Hoje o sol é uma novena, alimento que preenche o interior,  que  me devolve um outro lado.

Não  reconheço a minha silhueta,  mas ainda sou eu  na voz que rompe o  ouvido

As duas margens numa outra   estação, sejam as imagens com a cor da alegria e o cheiro a verão está  tudo sempre certo para o caminho que traz o inverno.


V. 

31 OUTUBRO 2024



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