O DOIS MIL DO 8
À LUZ DOS DIAS E DAS NOITES DE NOVEMBRO/2024
O vento sopra na crosta terrestre as velas brancas são lançadas na vibração do símbolo na direção da chama humana a estrela do palco passeia de bicos de pés pela superfície com o poema no mão cria as possibilidades à velocidade de um relâmpago assim de quando em quando escuta o sino d´aurora oscilar no seu interior as horas marcam as 8
no espelho dois mil
andamos para trás e agarramo-nos às memórias que veem quando a mão colocada na maçaneta da porta ativa a linha do tempo
- Faça o favor de entrar, - pois não nada somos sem a matéria que fomos, sonhada, pensada, experimentada, - fazemos as contas, erramos na soma, trocamos o sentido e ganhamos uma oportunidade, perdemos por falta de sermos, mas continuamos a criar matéria para colocar no deposito do ser,
e o que levamos daqui ?
O século abriu com a proposta ousada, sermos a conjunção dos próximos dois mil anos
às voltas com as conspirações que as aguas vibram os passos que os pés seguem de mansinhos o oculto da vida na experiencia de um dia contar
quantas perolas brancas tenho que enfiar?
No corpo da terra, no corpo humano debita a matéria outrora penetrada em outras esferas através dos impulsos que nos leva prá mudança,
calcorreamos caminho na prensa da vida, perdemos, ganhamos, a trocar de ar o espaço
, integramos mais um dia, o que já não somos, o que deixámos por vir ...
Na vida desfreada, somos em algum momento chamados a recuperar todos esses espaços calcorreados
e na falta de tempo de aproximar a relação do que expandimos e retraímos, somos tocados pelo presente,
como um bouquet apanhado à pressa levado à presença a deus
- agora é o momento, toca a tua essência, cheira uma por uma, descreve de olhos fechados quem foste, quem virás a ser
mirramos as flores, com o susto de chegar bem de perto ao chanceler- órgão responsável pela integração do 8 na dinâmica da relação.
Enquanto o tambor tocar a melodia da alma, há caminho a fazer por dentro do teu ser, - escutamos, escutaste tu, escutei eu
deus que passou a mão pelas flores do nosso jardim, como quem puxa os fios do cabelos e nos pede para focar a nossa atenção na função que nos propusemos a fazer enquanto ser humano
o que fizemos dai em diante ?
na relação do dois mil, em construção de um espaço ainda por abrir,
vamos dar caminho aos pés.
V.
30 Novembro 2024
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